Em nenhuma passagem da Bíblia, Deus pede aos homens que tenham coragem como uma atitude absolutamente humana, pede-lhes, na verdade, é que tenham absoluta confiança nEle, que depositem nEle toda a sua esperança, posto que quem lutará as lutas humanas será Ele, como no desafio que Davi lançou ao filisteu Golias, confiando toda sua coragem naquEle que lutaria em seu lugar, “Quem é este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?”(1 Sm, 17:26). Nas vezes em que Deus pede aos homens que sejam corajosos, Ele o faz não se fiando na força falível de suas criaturas, mas no ânimo que Ele mesmo deposita naqueles que assim O clamam e naqueles que Ele mesmo escolhe. Assim foi, por exemplo, com Josué quando Deus o elegeu para conduzir Seu povo a tomar posse da Terra Prometida, “Como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei”, “Tão-somente esforça-te, e sê muito corajoso” (Js, 1:5 e 7). No Novo Testamento, temos a revelação de Paulo, em sua primeira epístola aos Coríntios, sobre os três maiores valores cristãos, “a fé, a esperança e o amor, mas o maior deste é o amor” (1 Co, 13:13), ou seja, a fé em Deus, a esperança de que Ele cumprirá o que prometeu e o amor como a atitude maior no estabelecimento da relação entre Deus e os homens, e entre estes e seus pares. A coragem, poderíamos colocar nestes termos, é uma atitude proveniente, em primeiro lugar do amor a Deus, do amor do homem a si mesmo e do amor deste por seu próximo. Em razão desse amor, a coragem desponta no homem, desfigurando o medo que poderia paralisá-lo, porque ele sabe que quem habita seu íntimo é quem também determina o seu destemor: o Espírito de Deus.
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